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Quem tem acesso à Internet e é no mínimo alfabetizado não vota no PT, diz novo ministro da educação

Escalado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para conter a crise no Ministério da Educação, o novo ministro Abraham Weintraub falou sobre seus planos na pasta, sua relação com o guru Olavo de Carvalho, criticou o “marxismo cultural” e fez críticas aos eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em entrevista ao Estadão, Weintraub negou que sua indicação tenha sido feita por Olavo de Carvalho, mas classificou o guru como “muito inteligente” e dono de “ideias ótimas”, apesar de pontuar que “não concorda com tudo”.

O antecessor do novo ministro, Ricardo Vélez Rodríguez, era próximo de Olavo e protagonizou disputas com militares por nomeações do Ministério da Educação.

Já Weintraub disse que Bolsonaro lhe pediu que “entregar resultados” e fazer “gestão”. Ele disse que há atrasos no cronograma da pasta e que tomará “cuidado” com as publicações do MEC.

Uma das declarações de Vélez que foi alvo de críticas foi a defesa de uma revisão dos livros de história sobre o golpe militar de 1964

Questionado pelo Estadão sobre o assunto, Weintraub disse:

“Não quero entrar nessa discussão agora. Evidentemente que houve ruptura em 1964. Mas essa ruptura foi dentro de regras. Houve excessos? Houve. Pessoas que morreram? Sim. É errado? É e infelizmente ocorreu. Mas num dia de protesto na Venezuela morreu mais gente do que em todo o período de regime.”

O novo ministro também criticou os eleitores do PT:

“Uma pessoa que sabe ler e escrever e tem acesso à internet não vota no PT. A matemática é inimiga do obscurantismo. Eu não sou contra o petista. Tenho amigos que são petistas. Pessoas boas que não conseguem se livrar. Eu converso com as pessoas. Não é que eu tenho: ‘ah, demônio!’ Agora, sou contra o obscurantismo.”

O novo ministro afirmou que no “curto prazo” não terá medidas para tratar da “disciplina nas escolas”, mas ressaltou que o Bolsa Família poderá ser retirado de alunos agressores.

“No curto prazo, não faremos nada nesse aspecto. Mas sou a favor de seguir a lei. Se o aluno agride, o professor tem de fazer boletim de ocorrência. Chama a polícia, os pais vão ser processados e, no limite, tem que tirar o Bolsa Família dos pais e até a tutela do filho. A gente não tem que inventar a roda. Tem que cumprir a Constituição e as leis ou caminhamos para a barbárie. Hoje há muito o “deixa disso”, “coitado”. O coitado está agredindo o professor. Tem que registrar, o pai tem que ser punido. Se não corrigir, tira a tutela da criança. Se o professor alega que ele não tem apoio do Estado, um recado: o Estado somos nós. Se o professor alegar que não tem apoio do Estado, um recado: o Estado somos nós. “Ah, mas é o PCC que está fazendo.” Tem que chamar prefeito, secretário de Educação e enfrentar o problema. Não tem que sentar e achar que nunca vai mudar.”

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